Eram 15h32m de uma terça-feira ensolarada na cidade de São Paulo, com a temperatura estável em torno dos 32ºC. Um Verona, de cor vinho, está parado no farol da Praça Dia do Senhor, na região do parque do Ibirapuera. Seu motorista fica com o corpo parado em uma posição que considera aconchegante, apenas mexendo a boca num movimento que visa acompanhar o refrão da música que toca em seu rádio naquele momento, algo como “pó-pó-pó-pó poker face”.
Distraído, observa outros carros passarem na direção oposta à que pretende em breve seguir. Seus cabelos estão fervendo, por seu teto solar estar aberto e ter aqueles raios Ultra Violeta incidindo diretamente em si.
Seu pensamento voava tão longe que quase não percebeu quando uma coxa morena, com alguns buraquinhos de celulite e vestida por um shortinho jeans, quase levou seu retrovisor embora. Apenas ouviu um barulho e quando se virou, viu o espelho se contorcendo, lutando para ficar no lugar, enquanto aquela monstruosidade tentava arrancá-lo à força.
Logo um estalo se fez, e ele voltou ao seu local de origem. Mais a frente, a moto, na qual a dona da perna estava de garupa, parou. E uma briga aconteceu. Ela não parava de xingar o piloto da moto, que tentava se desculpar, sem sucesso. Assim foi por alguns instantes, até que eles seguissem seu caminho.
Então, o farol abriu. O motorista, que há poucos instantes estava tenso com a possibilidade de ter seu retrovisor direito quebrado, ri da situação...e a vida... a vida seguiu, como se nada tivesse ocorrido alí.
Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo urbano
Há 10 anos

É o estresse e a falta de compreensão que está cada vez mais presente no nosso cotidiano. É realmente uma pena.
ResponderExcluirO elemento central da vida é perceber o quanto tudo isso é pequeno perto de coisas mais importantes.
ResponderExcluirEscreva sempre, meu caro. Sempre e sempre.
Estarei de olho no blog.
Abraço.