terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma coxa, um retrovisor e a vida...

Eram 15h32m de uma terça-feira ensolarada na cidade de São Paulo, com a temperatura estável em torno dos 32ºC. Um Verona, de cor vinho, está parado no farol da Praça Dia do Senhor, na região do parque do Ibirapuera. Seu motorista fica com o corpo parado em uma posição que considera aconchegante, apenas mexendo a boca num movimento que visa acompanhar o refrão da música que toca em seu rádio naquele momento, algo como “pó-pó-pó-pó poker face”.

Distraído, observa outros carros passarem na direção oposta à que pretende em breve seguir. Seus cabelos estão fervendo, por seu teto solar estar aberto e ter aqueles raios Ultra Violeta incidindo diretamente em si.

Seu pensamento voava tão longe que quase não percebeu quando uma coxa morena, com alguns buraquinhos de celulite e vestida por um shortinho jeans, quase levou seu retrovisor embora. Apenas ouviu um barulho e quando se virou, viu o espelho se contorcendo, lutando para ficar no lugar, enquanto aquela monstruosidade tentava arrancá-lo à força.

Logo um estalo se fez, e ele voltou ao seu local de origem. Mais a frente, a moto, na qual a dona da perna estava de garupa, parou. E uma briga aconteceu. Ela não parava de xingar o piloto da moto, que tentava se desculpar, sem sucesso. Assim foi por alguns instantes, até que eles seguissem seu caminho.

Então, o farol abriu. O motorista, que há poucos instantes estava tenso com a possibilidade de ter seu retrovisor direito quebrado, ri da situação...e a vida... a vida seguiu, como se nada tivesse ocorrido alí.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Vida real

“E viveram felizes para sempre”... Quem nunca sonhou em fazer parte de um daqueles contos de fadas, nos quais a felicidade é a única meta, e o que realmente importa é o amor de um pelo outro? Que garota nunca se viu no lugar da cinderela, da bela adormecida, ou, mais recentemente, na pele de Tiana, a princesa negra?

E qual garoto que nunca assistiu a esses desenhos e, desdenhando, falou: “que viadagem”, numa altura suficiente para que todos pudessem ouvir e dar razão. Mas no fundo, bem lá no fundinho, sentiu algo meio que estranho, fazendo-o pensar que ele também quer ser ‘feliz para sempre’.

Eu não tenho vergonha de dizer que já pensei isso algumas vezes e que já chorei vendo filmes como “rei leão” e “pokémon”. Isso não me diminui, só mostra que também tenho sentimentos. Só sei que tudo na vida seria tão mais fácil se as coisas fossem como nos contos de fada. Se o amor bastasse, assim como naqueles desenhos tolos...

Mas, como sabem, estamos na vida real. E ela é dura, é abusiva, é complicada e é destrutiva... Os finais dela também são reais. E nele os sorrisos são substituídos por lágrimas. São fins cruéis, doloridos. Ahh, e como são...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Educação x Violência

(é longo, mas espero que valha a pena)

É dia 23 de janeiro de 2005 e o garoto, de 14 anos, decide mudar o rumo de sua vida. Chega de mansinho perto de seu pai e anuncia sua grande virada de mesa: -Pai, eu quero parar de estudar!

O pai, atônito, para e respira por alguns segundos. Após o breve tempo, se encoraja e determina: - Você está louco! Tem que estudar para garantir seu futuro e não ser como eu. Hoje é necessário muito estudo, se deseja ser algo na vida!

-Mas pai – diz o garoto, que acabara de completar o ensino fundamental, que até então se estendia até a oitava série – eu já estudei demais na minha vida. Quero trabalhar e ganhar dinheiro!

-Filho, as coisas estão difíceis. Se você quer trabalhar, eu te arranjo um emprego, mas continue estudando, nem que seja à noite. Isso não te trará arrependimentos, coisa que aconteceria se vc deixasse de estudar.


31/01/2010


O filho, agora com seus 19 anos, estuda para ser um bom jornalista e vê que seu pai tinha razão! Não poderia deixar de estudar... Aquele garoto, já deve ter percebido, era eu... e meu pai me salvou de, talvez, um destino cruel: o da ‘malandragem’.

Se parasse por alí, talvez o destino me pregasse uma peça e me transformasse em um ‘fora-da-lei’, digamos assim, rs. Imagino, entretanto, quantos não tiveram a mesma sorte que eu... Quantos acabaram seguindo os caminhos sinuosos dos quais escapei?

Não há dúvidas de que a educação é uma poderosa arma contra a violência. É claro que não é tudo, mas se o povo brasileiro fosse conscientizado nas escolas(e diz-se muito isso, apesar de não parecer de interesse dos políticos), de que o crime não é o caminho, de que os estudos e a dedicação fazem o ser-humano evoluir, os índices seriam reduzidos drasticamente, e afirmo por experiência própria.

Além disso, garanto que se eu continuasse com aquela idéia na cabeça, eu não teria conhecido pessoas maravilhosas no colégio, com quem mantenho contato até hoje, mesmo que com certa escassez. Também não teria a sorte de cruzar com as pessoas iluminadas, que mesmo com brigas e desentendimentos, dão um colorido especial à minha vida.

Portanto, se alguém estiver pensando em parar de estudar, analise bem quais são as opções. Perceba que são dois caminhos distintos e que podem transformar completamente sua vida, sem chance de uma volta. A vida é feita de escolhas. Pense nisso.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Um pouco de reflexão

Há pouco tempo atrás o Haiti foi castigado por terremotos, deixando milhares de mortos e muita tristeza, para os que sobreviveram. Após o sangue, veio a fome, o frio e, finalmente, a podridão do gênero humano, através do egoísmo e do ódio.

Vejo pela TV o mesmo que vocês; pessoas desesperadas em busca de alimento para sua família, sem água, sem leite, sem pão! Ahhh, o pão, quem dera eles tivessem alguns pãezinhos franceses, muitas vezes tão desvalorizados por aqui...

Essa miséria sensibilizou o mundo inteiro, incluíndo o povo e o governo brasileiro. Mas pera aí! Como assim o Brasil está ajudando aos haitianos? Como os brasileiros, que muitas vezes fingem não ver os necessitados de seu bairro, podem contribuir?

Vocês sabem que é verdade! Se alguém tiver dúvidas, para comprovar é simples: ande pelas ruas de São Paulo. Verá dezenas de pessoas famintas, em situações precárias; necessitando de uma grande atenção do Estado e mesmo de nós, civis. Observe por meia hora e notará que são desprezados como lixo – ou algo pior.

Sendo assim, indago: como é possível que um povo que fecha os olhos para os que estão sobrevivendo – e digo sobre, pois o que levam não é vida –, se comova com os haitianos (que precisam de toda a ajuda possível, não nego)?

A resposta talvez seja mais simples do que parece: sugiro a pressão da imprensa. Qual a importância dos moradores de rua de São Paulo, comparado ao povo haitiano, para a mídia em geral? Quando foi veículada alguma mensagem pedindo ajuda aos moradores de rua na TV? Não me lembro, meus caros...

Fico por aqui, expressando toda a minha indignação, pois, apesar da nobre atitude do povo na ajuda ao Haiti, está absolutamente visível que precisamos cuidar primeiro de nossos problemas, para poder ajudar aos outros plenamente. Para isso, a mídia tem papel imprescindível.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Macho?

Não poderia começar um blog sem um post “girsístico”, como diriam alguns... rs

Então, sendo assim, lá vai.

Inicio com um poema de minha autoria... já adianto que não sou poeta, muito menos pretendo ser algo parecido, entretanto, há outro jeito mais fácil de tentar ‘traduzir’ aquilo que se passa em nossas mentes e corações? Se existe, me informem... portanto, lá vai:

Macho?

Eis uma grande dúvida que paira na minha cabeça
O que é um macho?
É aquele que se esconde atrás de palavras rudes,
De desaforos e de caretas?

É o ‘homem’ que não demonstra seus sentimentos,
Magoa quem o rodeia,
Trai a confiança de quem lhe considera
E tira proveito dos outros, sem se importar?

Macho é o ignorante, bobalhão,
Infantil e as vezes até imbecil?
Bem, caros amigos,
Leso engano de quem pensa isso...

Macho de verdade, é aquele que tem coragem!
Não é a coragem de bater nos outros,
Mas sim de mostrar os sentimentos,
Expor o que pensa, sem magoar;

É o homem que sabe que os outros também são gente
E que precisam de atenção
É quem não tem medo de chorar
E não tem medo dos julgamentos alheios.

Ser macho é uma das coisas mais difíceis
Que um homem pode ser...
E por isso eu sigo tentando,
Para, quem sabe, eu chegue perto de ser um.